Jerónimo Martins

Descrição

A Jerónimo Martins (JM), sediada em Portugal, é um Grupo económico internacional com uma história que remonta a mais de 230 anos no setor de retalho alimentar. O Grupo está presente em seis países, com as principais operações de distribuição alimentar em Portugal, Polónia e Colômbia. Em 2024, a empresa abriu cerca de 388 novas lojas.

A estrutura de negócios da JM está dividida em Distribuição Alimentar, Retalho Especializado e Agroalimentar. A distribuição Alimentar (Portugal, Polónia e Colômbia) é o maior segmento, com foco em soluções alimentares de proximidade e conveniência.

◦ Biedronka (Polónia e Eslováquia): É o maior negócio do Grupo, respondendo por cerca de 70,4% das vendas totais. É uma cadeia de lojas de proximidade e em março de 2025, expandiram as suas operações para a Eslováquia.

◦ Pingo Doce (Portugal): Cadeia de supermercados que lidera o seu formato no país. Distingue-se pelas refeições prontas, sendo a sua marca “Comida Fresca” a maior rede de restaurantes em Portugal em número de localizações. As suas vendas aumentaram 4,5%.

◦ Ara (Colômbia): Cadeia de lojas alimentares de proximidade comprometida em democratizar o acesso a bens alimentares através de um posicionamento de qualidade ao melhor preço.

◦ Recheio (Portugal): Opera uma cadeia de cash & carry e fortaleceu a sua atuação em food service para clientes HoReCa (Hotéis, Restaurantes e Cafés).

Retalho Especializado: Inclui a Hebe (Polónia, Chéquia e Eslováquia), focada em produtos de saúde e beleza, com uma forte aposta na abordagem omnicanal, onde o canal online contribuiu com 20% das vendas. Inclui ainda as cafetarias Jeronymo e as lojas de chocolates e confeitaria Hussel em Portugal.

Jerónimo Martins Agro-Alimentar (JMA): Desenvolve atividades em Portugal e Marrocos (aquacultura), abrangendo a produção de laticínios, agropecuária, aquacultura, e frutas e vegetais. O seu propósito é salvaguardar a capacidade de abastecimento das Companhias do Grupo e criar diferenciação pela qualidade.

Dados Financeiros

No exercício de 2024, as vendas globais da Jerónimo Martins totalizaram 33,5 mil milhões de euros, refletindo um crescimento médio anual de 10,4% desde 2015. O crescimento das vendas globais foi de 9,3% em 2024 em comparação com o ano anterior, ou 4,9% se excluído o efeito cambial positivo, impactado por uma queda na inflação alimentar. Apesar deste crescimento das vendas, o crescimento orgânico cifrou-se nos 0.6% em 2024.

O EBITDA do grupo em 2024 atingiu 2,2 mil milhões de euros e a margem EBITDA foi de 6,7%, o que representa uma redução de 0,4 pontos percentuais (p.p.) face aos 7,1% registados em 2023.

Esta pressão sobre as margens deveu-se, em grande parte, ao facto de o crescimento dos custos operacionais ter sido superior ao das vendas, impulsionado pela significativa inflação nos custos (principalmente laborais) combinada com a deflação alimentar.

Política e histórico de Dividendos

A política de dividendos baseia-se no resultado consolidado ordinário da empresa que é semelhante ao resultado líquido. A empresa tem um target de 40% a 50%, mas se o valor do dividendo for mais baixo do que o ano anterior devido a eventos excepcionais então o conselho de Administração poderá propor que o valor anterior do dividendo seja mantido.

A seguinte tabela mostra o histórico de dividendos dos últimos 5 anos da Jerónimo Martins, bem como as datas relevantes:

Data Declaração Data Ex-dividendo Data de Registo Data de Pagamento Dividendo Bruto por ação
19/03/2025 13/05/2025 14/05/2025 15/05/2025 0.59
06/03/2024 13/05/2024 14/05/2024 15/05/2024 0.655
22/03/2023 15/05/2023 16/05/2023 17/05/2023 0.55
09/03/2022 16/05/2022 17/05/2022 18/05/2022 0.785
03/03/2021 04/05/2021 05/05/2021 06/05/2021 0.288

Equipa de gestão e diretores

O Conselho de Administração da empresa tem 11 diretores, cujo Presidente é Pedro Manuel de Castro Soares dos Santos desde dezembro de 2013. José Soares dos Santos também pertence à família Soares dos Santos e é diretor não-executivo desde 2019.

Estrutura acionista

A estrutura acionista é bastante simples. De acordo com o site da empresa, a holding da família Soares dos Santes detém 56% do capital estando os restantes 44% dispersos em bolsa.

Fatores de risco

O principal fator de risco da empresa é a relação cambial entre o euro e o zloty, uma vez que a maior parte das suas receitas é gerada em zlotys, mas é convertida em euros para efeitos de pagamento de dividendos, serviço da dívida etc. Assim, o cenário mais favorável seria um zloty inicialmente fraco que venha a valorizar-se face ao euro.

Outro fator de risco muito relevante Jerónimo Martins é a subida do salário mínimo na Polónia, que é determinado pelo governo e nem sempre acompanha o valor da taxa de inflação.

As disputas e multas aplicadas pela Autoridades da Concorrência em Portugal e na Polónia relacionadas com práticas anti concorrenciais e abuso de poder são também fator de risco que o grupo enfrenta com alguma frequência.

Múltiplo Preço/Lucro

Historicamente as ações da Jerónimo transacionam a um rácio Preço/Lucro entre 13x e 25x, dependendo dos ciclos do mercado. Por exemplo, em 2008 caiu a pique devido às crise financeira global e em 2022 subiu a pique devido à inflação provocada pela guerra da Ucrânia.